» Home
» Busca (notícias)
03/11/2016 - Comte.Mário Mendonça

IMO LIMITA EM 0,5% O TEOR DE ENXOFRE NO COMBUSTÍVEL MARÍTIMO A PARTIR DE 2020

O Comitê de Proteção ao Meio Ambiente Marinho da IMO (MEPC) decidiu, por ocasião de sua 70ª Sessão, realizada na semana de 24 a 28 de outubro, reduzir o limite de teor de enxofre do óleo combustível marítimo de 3,5 % para 0,5% a partir de 01 de janeiro de 2020.

Embora a regra 14.1.3 do Anexo VI da Convenção MARPOL estabeleça que o teor de enxofre de qualquer óleo combustível utilizado a bordo de navios não deverá ultrapassar o limite de 0,5% a partir de 1º de janeiro de 2020, o MEPC estabeleceu, também, uma Cláusula para Exame, por meio da regra 14.1.8, especificando que até 2018 um grupo de trabalho (GT) verificaria a disponibilidade desse óleo no mundo. Assim, de forma preventiva, foi estabelecida, pela regra 14.1.10, a possibilidade da postergação da data de 2020 para 2025, no caso da não confirmação da disponibilidade desse combustível. 

Entretanto, muito antes da data limite de 2018, esse GT do MEPC entendeu que haverá a disponibilidade desse combustível em 2020. Por outro lado, algumas organizações internacionais, como a BIMCO e a ICS, não concordaram com o resultado do GT e acreditam que não haverá, em 2020, combustíveis marítimos na qualidade e quantidade aceitável, bem como com a distribuição regional necessária.

Para respaldar o entendimento do GT, e de forma que essa regra entre em vigor em 2020, os Estados Unidos e alguns países europeus relataram que a postergação dessa data para 2025 poderia representar a morte prematura de cerca de 200.000 pessoas, sendo 130.000 na Ásia, 32.000 na África e 20.000 na América Latina.

Em contrapartida, segundo a ICS, esse novo combustível marítimo causará um significativo impacto no custo do transporte marítimo, uma vez que seu preço deve ficar entre 50% e 100% maior que o combustível residual que muitos navios usam atualmente. Consequentemente, os fretes deverão ser aumentados elevando o preço final dos produtos transportados.

As alternativas disponíveis atualmente são a instalação de sistemas de limpeza dos gases de exaustão (scrubbers) ou a modificação do sistema de propulsão para o emprego do GNL como combustível. Ambas as alternativas têm um custo muito alto, inviabilizando a sua implementação em navios com mais de 15 anos, o que os levará para um desmanche precoce.

O acompanhamento do tema nos indica que poderemos repetir o que ocorreu com a Convenção sobre Gerenciamento de Água de Lastro, adotada em 2004, que previa que em 2009 existiriam sistemas de tratamento da água de lastro não só em quantidade suficiente para atender a demanda como para atender os requisitos estabelecidos pela própria Convenção. Doze anos depois, vemos a Convenção entrar em vigor sem que esses sistemas sejam confiáveis e sem que haja disponibilidade para atender toda a frota mundial.

Incertezas e apostas como essas podem colocar em risco o transporte marítimo mundial.


 



Copyright © Syndarma, 2010.

 

Rua Visconde de Inhaúma, 134 - Grupo 1005 • Centro - Rio de Janeiro - RJ • Brasil - CEP: 20091-901 • Tel: (21) 3232.5600 • Fax: (21) 3232.5619 • e-mail: syndarma@syndarma.org.br

Produzido por Themaz Comunicação.