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07/05/2012 - Comte.Mário Mendonça

Os códigos de gás - pedra fundamental da nova energia mundial

Por Mike Corkhill  -    Tradução livre
                      
O gás tem sido um importante tópico de discussão na Organização Marítima Internacional (IMO) nos últimos anos, e os resultados dessas deliberações estão sendo agora concretizados. Em um certo nível, a indústria do transporte marítimo de gás renovou suas normas para regular a concepção, a construção e o equipamento dos meios de transporte de gás, levando em conta os inúmeros avanços que foram feitos na tecnologia do transporte de gás liquefeito .

Em uma segunda frente, o setor marítimo, em geral, tem trabalhado para desenvolver um novo conjunto de normas internacionais para regular o uso do gás como combustível em navios. Isto vem ocorrendo porque espera-se que os navios movidos a gás natural liquefeito (GNL) proliferem nos próximos anos, como uma forma de permitir que os proprietários dos navios cumpram com as restrições cada vez mais apertadas relativas às emissões atmosféricas dos navios. No entanto, os novos padrões também devem levar em conta o uso de combustíveis líquidos e gasosos alternativos com baixo ponto de fulgor em sistemas de propulsão marítimos.

Os trabalhos relativos à revisão do Código Internacional para a Construção e Equipamento de Navios que Transportam Gases Liquefeitos a Granel (Código IGC) começaram em 2007, quando a Secretaria da IMO concordou que, devido à natureza técnica do projeto, o trabalho de atualização do Código poderia ser melhor empreendido pela própria indústria de transporte de gás. A elaboração da revisão foi realizada sob os auspícios da Society of International Gas Tanker and Terminal Operators (SIGTTO), durante um período de dois anos. A iniciativa representou a primeira vez que a IMO delegou a revisão de um grande conjunto de normas a um órgão da indústria.

A SIGTTO reuniu uma grande parcela dos transportadores mundiais de gás para participar do trabalho de revisão do Código IGC. Um total de 129 especialistas de 18 países, representando 48 setores diferentes do transporte de gás foram organizados em 10 grupos de trabalho. Depois da convocação de 39 reuniões dos grupos de trabalho e da realização de seis reuniões do grupo de direção, a atualização foi concluída e um projeto de revisão do Código IGC foi submetido à IMO, em Novembro de 2010.

A revisão foi necessária devido às mudanças que ocorreram no setor de transporte de gás desde que o Código IGC foi adotado em 1983. Embora o Código tenha servido bem à indústria, com apenas algumas alterações, ao longo dos últimos 30 anos, muitos na indústria acreditam que em algumas áreas as normas para o transporte de gás foram caindo abaixo dos requisitos adotados para os petroleiros convencionais, como por exemplo com relação à proteção do local dos tanques de carga.

Além disso, as disposições do Código IGC existentes não cobrem aspectos relativos aos novos sistemas de propulsão que têm sido desenvolvidos, bem como as particularidades das plantas de processo e dos sistemas de ancoragem de embarcações de regaseificação de GNL. O transporte de GNL em tanques de pressão de navios do tipo C também foi considerado digno de atenção redobrada no Código revisto. Para realizar essas grandes mudanças, os grupos de trabalho da SIGTTO aproveitaram a oportunidade para implementar, no Código, uma série de pequenas alterações e esclarecimentos, bem como novos requisitos para o transporte de dióxido de carbono e cargas C4 mistas.

As novas disposições, que foram objeto de algum ajuste fino na IMO, nos últimos 12 meses e na 16º sessão do Subcomitê de Líquidos e Gases a Granel da IMO (BLG 16), em fevereiro de 2012, tiveram o seu conteúdo aprovado na revisão do Código. A minuta do Código IGC, agora, será analisada por outros subcomitês da IMO, no ano que vem.

A intenção é juntar as avaliações realizadas pelos vários subcomitês da IMO para, então, colocar em discussão por ocasião da 17ª sessão do BLG, no início de 2013. As alterações acordadas nessa sessão serão incorporadas em uma versão final do Código IGC, para apreciação na 91ª sessão do Comitê de Segurança Marítima (MSC 91), que está prevista para maio de 2013. A SIGTTO está esperando que o texto revisado do Código seja aprovado na MSC 91, para permitir a sua entrada em vigor em 2014.

O segundo código de gás em consideração na IMO é o novo Código Internacional de Segurança para Navios Movidos a Gás (Código IGF). Após a introdução do ferry Glutra, em 2000, mais de 25 embarcações movidas a GNL foram construídas para a operação nas costas norueguesas e no serviço offshore.
Um número similar de embarcações movidas a GNL estão em construção, incluindo vários grandes navios, muitos para o comércio internacional. O uso do GNL como combustível marítimo deve crescer nos próximos anos, e a infra-estrutura de abastecimento, que apoiará este desenvolvimento, está começando a tomar forma.

O foco inicial do trabalho para estender a cadeia de suprimento de GNL está em áreas de controle de emissões da IMO (ECAs), mas vários dos grandes novos terminais de importação de GNL, agora em construção em todo o mundo, estão sendo configurados com distribuição costeira de GNL e com centros de abastecimento.

As regras de classificação desenvolvidas pela DNV para as embarcações pioneiras movidas a GNL, na Noruega, formaram a base do trabalho para o novo regime do Código IGF. O passo fundamental entre as regras da DNV e a finalização do Código IGF foram as "Diretrizes provisórias sobre segurança para instalações de motores a gás em navios", adotadas pela IMO em 2009. Essas diretrizes, por sua vez, tem sido utilizadas como ponto de partida para as regras dos navios movidos a gás desenvolvidas por outras sociedades classificadoras.

A introdução de sistemas de gás a bordo de navios que não são transportadores de gás representa um salto quântico, que tem grandes implicações para a indústria marítima. A probabilidade é que, entre as opções gasosas, o GNL será o combustível escolhido, e isso significa que uma grande quantidade de marítimos e portuários terá a responsabilidade de lidar com este líquido criogênico no futuro.

Reconhecendo as implicações desse novo regime, a IMO tomou a iniciativa na elaboração do novo Código IGF, para garantir que questões como treinamento, dispositivos de parada de emergência (ESD), localização de tanque de combustível e alinhamento com o Código IGC sejam inteiramente cobertas para uma variedade de tipos de navios. O uso de combustíveis gasosos em navios de passageiros tem sofrido uma consideração especial, semelhante à já realizada pelos noruegueses em suas embarcações costeiras, e agora está recebendo uma maior atenção no trabalho da elaboração do Código IGF.

Como foi o caso com o código IGC, um progresso substancial foi feito com a minuta do Código IGF na BLG 16. Na reunião foi decidido que o Código deveria incluir dispositivos para praças de máquinas protegidas com ESD, sujeitas a certas condições, e que os tanques de combustível localizados sob alojamentos não deveriam ser proibidos, desde que salvaguardas adequadas fossem estabelecidas.

O trabalho na BLG 16 também incluiu uma revisão dos últimos capítulos da minuta do Código IGF. Como resultado da revisão, o grupo de trabalho do IGF identificou uma série de áreas onde um “input” adicional seria necessário a partir de outros subcomitês da IMO. Ao Subcomitê de Formação e Serviço de Quartos (STW) foi perguntado se os requisitos de formação para os navios transportadores de gás e de produtos químicos seriam adequados para os oficiais e subalternos servindo em navios movidos a gás ou combustíveis de baixo ponto de fulgor, ou se um treinamento específico seria necessário.

O Subcomitê de Estabilidade e Linhas de Carga e de Segurança dos Navios de Pesca (SLF) foi solicitado a considerar uma proposta sobre as distâncias laterais de tanques de combustível, enquanto o Subcomitê de Projeto de Navio e Equipamentos (DE) foi convidado a considerar os meios de salvamento. Atualmente, os dispositivos de salvamento para os navios tanque também são aplicáveis aos navios transportadores de GNL, e não existem requisitos suplementares para embarcações, de acordo com o Código de IGF, que não as existentes para navios de carga ou passageiro.

O grupo de trabalho IGF também discutiu a instalação de detectores de gás nas entradas dos alojamentos e praças de máquinas, para cobrir situações que envolvam uma fuga de gás, como durante as operações de abastecimento de combustíveis. Isto provou ser uma questão controversa, que vai exigir um estudo mais aprofundado.

O grupo de trabalho por correspondência (IGF) vai continuar a trabalhar no projeto do Código IGF até o início da 17ª reunião do BLG do próximo ano. O foco primário no novo Código de IGF será sobre a utilização de gás natural como combustível, mas foi decidido que a possibilidade de utilização de outros combustíveis de baixo ponto de fulgor também deve ser especificamente dirigida em seções separadas do código.

A natureza técnica complexa dessas deliberações finais sobre navios movidos a gás significa que é improvável que o Código IGF consiga  entrar em vigor em 2014, junto com o Código IGC. No entanto, em termos gerais, o Código IGF está agora na reta final, devendo entrar em vigor até 2015, mesmo ano em que os níveis de enxofre permitidos em combustível marítimos nas ECAs serão reduzidos de 1,0 para 0,1%.

Nota do Editor: Mike Corkhill é jornalista técnico e consultor especializado em petróleo, gás e transporte de produtos químicos, incluindo o transporte de petróleo e a logística de produtos químicos. Um Arquiteto Naval qualificado, ele escreveu livros sobre GNL, GLP, navios de produtos e de produtos químicos e é, atualmente, o editor do LNG World Shipping e LPG World Shipping.





 



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