» Home
» Busca (notícias)
16/05/2011 - Comte. Mário Mendonça

O custo da pirataria

A pirataria “da era moderna” começou na Somália, na década de 1990, quando o país vivenciava o início da guerra civil. De lá para cá esta modalidade marginal cresceu, tendo alcançado o Oceano Índico e, agora, começa a dirigir-se para o sul do Continente Africano, chegando as costas de Moçambique. Além do perigo de vida para os marítimos que viajam pelas rotas “minadas”, a ação dos piratas se profissionalizou e, hoje, causa prejuízos bilionários à marinha mercante mundial. O crime no mar tornou-se um negócio muito rentável, envolvendo grupos que financiam, planejam, organizam e executam as ações contra o tráfego marítimo. Só em 2010, os prejuízos contabilizados somaram 8 bilhões de dólares. Estima-se que este valor chegue a 15 bilhões em 2015.

Tais números tiveram consequências importantes para os armadores, meio ambiente e para os consumidores em geral. Os aumentos significativos do valor cobrado pelas empresas de seguro e do consumo de combustível, em função de  alteração  de rotas e de aumento de velocidade, fazem a mercadoria ficar mais cara para o consumidor final. A reação internacional demorou a acontecer. A primeira grande operação – “Operação Atlanta”, coordenada pela OTAN, foi montada em 2008, com o emprego de mais de 20 navios de guerra. Sem grandes resultados, foi criada, em 2009, a Força Tarefa 151, agora com a participação dos Estados Unidos e contando com mais de 50 navios. A reação dos piratas foi imediata e “profissional”: começaram a utilizar navios mães e passaram a operar muito afastados da costa, ampliando sensivelmente a sua área de atuação. A partir daí, alguns armadores passaram a empregar guardas armadas a bordo. Posição considerada extrema por alguns e discutida na Organização Marítima Internacional. Índia e Libéria foram os dois países que saíram na frente e já permitem que suas embarcações transportem guardas armadas, a critério do comandante do navio. No Brasil esta prática ainda é proibida, o que causa (mais um) descompasso jurídico entre os diferentes países que mantêm acordos comerciais.

A pirataria está fora de controle e em perigo de propagação, advertem os especialistas no assunto. A África do Sul já externou suas preocupações. A ampliação da área de atuação e o risco de chegar ao Atlântico Sul não é um mero exercício de futurologia, mas uma possibilidade que deve ser encarada com seriedade. A pirataria, então, deixou de ser um assunto isolado para  tornar-se algo que influencia diretamente toda a cadeia produtiva, consumidora e até mesmo ao meio ambiente, mundo afora.

Este é um alerta para a comunidade marítima internacional da real e imediata necessidade de um diálogo mais profundo e abrangente, capaz de proporcionar ações efetivas que minimizem os danos humanos e financeiros, que deterioram a imagem do setor.

Texto na Íntegra




 



Copyright © Syndarma, 2010.

 

Rua Visconde de Inhaúma, 134 - Grupo 1005 • Centro - Rio de Janeiro - RJ • Brasil - CEP: 20091-901 • Tel: (21) 3232.5600 • Fax: (21) 3232.5619 • e-mail: syndarma@syndarma.org.br

Produzido por Themaz Comunicação.